Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010
Terça-feira, Janeiro 26, 2010
A ILUSÃO DA CASA
Vitor Ramil
As imagens descem como folhas
No chão da sala
Folhas que o luar acende
Folhas que o vento espalha
Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens descem como folhas
Enquanto falo
Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei
As imagens se acumulam
Rolam no pó da sala
São pequenas folhas secas
Folhas de pura prata
Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens se acumulam
Rolam enquanto falo
Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei
As imagens enchem tudo
Vivem do ar da sala
São montanhas secas
São montanhas enluaradas
Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens enchem tudo
Vivem enquanto falo
Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei
Vitor Ramil
As imagens descem como folhas
No chão da sala
Folhas que o luar acende
Folhas que o vento espalha
Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens descem como folhas
Enquanto falo
Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei
As imagens se acumulam
Rolam no pó da sala
São pequenas folhas secas
Folhas de pura prata
Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens se acumulam
Rolam enquanto falo
Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei
As imagens enchem tudo
Vivem do ar da sala
São montanhas secas
São montanhas enluaradas
Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens enchem tudo
Vivem enquanto falo
Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei
Quinta-feira, Janeiro 21, 2010
Sábado, Dezembro 26, 2009
A procura de um colecionador caleidoscópico
Grandville, 1844
Ponte interplanetária, o anel de saturno é um balcão de ferro.
Disponivel: http://dbridger.files.wordpress.com/2008/11/grandville-large1.gif
A imagem de Grandville de 1844, se faz pertinente no tocante ao sonho de cada época, segundo Benjamin, uma época sempre sonha a seguinte. Como se nos olhos de cada época podéssemos enxergar as matizes de um sonho por acontecer. A Paris do século XIX sonhou um modelo de cidade, de planejamento urbano, que influenciou determinantemente o pensamento urbano e representacional das cidades contemporâneas.
De certa forma, como nos coloca Marco Antonio de Menezes em seu artigo – Baudelaire: O Poeta da cidade moderna, Paris se emancipou da visão dos mosteiros medievais, dos grandes muros que separam uma ordem divina e um mundo profano, reintegrando uma forma de indivíduo e sociedade, nas vielas do mecânico, o tic-tac frondoso dos relógios subsitutindo as badaladas dos sinos das igrejas, agora sufocadas, por edificios e fumaças das chaminés das fábricas.
Por isso, ora a cidade narrada pela menlancolia de Baudelaire, ora narrado pelos pequenos relicários de Benjamin, a cidade é sempre uma imagem pública, mesmo sendo tratada de forma genérica e entendida como uma unidade funcional em sua arquitetura, composta de elementos fixos. Cada época compõe uma noção de cidade. E essa imagem pública é composta por uma sobreposição de imagens constituídas por diferentes individuos, sendo que cada um forma e cria a sua própria imagem da cidade. “Cada imagem individual é única e possui algum conteúdo que nunca ou raramente é comunicado, mas ainda assim ela se aproxima da imagem pública que, em ambientes diferentes, é mais ou menos impositiva, mais ou menos abrangente.”(Linch, 1997)
Portanto essa cidade que nos permite uma arrazoada série de discursos, é a Paris vivenciada pela lente de Benjamin, as imagens criadas por este repercutem o imaginário de diferentes gerações que se interessam pela literatura citadina. O caleidoscópio benjminiano nos permite, entrar pelas diferentes portas da capital francesa, como por suas ruas, buscando uma topografia espiritual que constitui o labirinto que Paris perdeu. E que a maioria das nossas cidades atualmente esquece-se. Pois uma cidade eminentemente moderna, é uma cidade sem memória. Nesse sentido “nunca deixamos de ser modernos”. Destruindo rapidamente nossas memórias individuais e coletivas, provavelmente o oficio da contemporaneidade será o do colecionador, mas a que se escolher seus fragmentos, montar suas coleções, numa série de discursos sngulares. “Não se encontrar numa cidade não significa muito. Mas se perder numa cidade como alguém se perde numa floresta requer instrução.”(Benjamin, 1987).
BENJAMIN, Walter. Passagens. Belo Horizonte: UFMG, 2007.
BERMAN, Marshall, Tudo que é sólido se desmancha no ar: A aventura da modernidade. Fragmentos A cidade de Leônia por Calvino
"A cidade de Leônia refaz a si própria todos os dias: a população acorda todas as manhãs em lençóis frescos, lava-se com sabonetes recém-tirados da embalagem, veste roupões novíssimos, extrai das mais avançadas geladeiras latas ainda intatas, escutando as últimas lengalengas do último modelo de rádio.
Nas calçadas, envoltos em límpidos sacos plásticos, os restos de Leônia de ontém aguardam a carroça do lixeiro. Não só tubos retorcidos de pasta de dente, lâmpadas queimadas, jornais, recipientes, materiais de embalagem, mas também aquecedores, enciclopédias, pianos, aparelhos de jantar de porcelana: mais do que pelas coisas que todos os dias são fabricadas vendidas compradas, a opulência de Leônia se mede pelas coisas que todos os dias são jogadas fora para dar lugar às novas. Tanto que se pergunta se a verdaeira paixão de Leônia é de fato, como dizem, o prazer das coisas novas e diferentes, e não o ato de expelir, de afastar de si, expurgar uma impureza recorrente. O certo é que os lixeiros são acolhidos como anjos e a sua tarefa de remover restos da existência do dia anterior é circundada de um respeito silencioso, como um rito que inspira devoção, ou talvez apenas porque, uma vez que as coisas são jogadas fora, ninguém mais quer pensar nela."
(Calvino, Italo. As Cidades Invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p.105)
Quinta-feira, Dezembro 24, 2009
A malabarista de oceanos - Janine Antoni
Fico Pensando se seria um malabarismo ou uma levitação.......
Essa vídeo instalação de Janine Antoni intitulada TOUCH - Tocar, Toque estava na última Bienal do Mercosul de Porto Alegre, quem tiver interesse no processo de execução desse poético malabarismo liquido pode acessar o site: http://www.pbs.org/art21/artists/antoni/clip1.html#
Créditos das imagens que surrupiei do meu querido amigo, o artista Alexandre Antunes se encontram no site do Terreno Baldio, onde podemos também sentir um pouco da atmosfera da Bienal no arquivo de imagens transladado por este, então quem não foi a bienal pode dar uma olhadela lá: http://www.dobbra.com/terreno.baldio/terreno/terreno%20baldio.htm
Essa vídeo instalação de Janine Antoni intitulada TOUCH - Tocar, Toque estava na última Bienal do Mercosul de Porto Alegre, quem tiver interesse no processo de execução desse poético malabarismo liquido pode acessar o site: http://www.pbs.org/art21/artists/antoni/clip1.html#
Créditos das imagens que surrupiei do meu querido amigo, o artista Alexandre Antunes se encontram no site do Terreno Baldio, onde podemos também sentir um pouco da atmosfera da Bienal no arquivo de imagens transladado por este, então quem não foi a bienal pode dar uma olhadela lá: http://www.dobbra.com/terreno.baldio/terreno/terreno%20baldio.htm
“Dizem que nessa praia os jogos, são atos de perigo, insignias do desespero, autorretrato em série, amontoados de expressão, inventando os verbos, não anúncio, predisponho”
O Romantismo, Face, Desprendo....
Se eu ousasse contaria tudo, não omitiria os feixes, as vielas da estória – Aquela face imunda, que não ouso – eles não suportariam, nem sei se eu suportaria, mas como viver com a crueldade arcaica daqueles intervalos? São as vigas: Acinzentadas, com poeiras turvas e todos olhando para o lado.
Foi talvez pudera na altivez dos escombros que insisto não olhar as fissuras da parede. Se o passado é mera invenção do presente, como capturo e torno o tempo um insesto de mim? Domino, superior, desdenhando suas pulsões, desloco, finjo, sacaneando os disticos semânticos do tempo. Os dias saltam a face e não são sujeitos, mas me sujeito. Pueril na miséria da sintaxe, na língua que esconde o segredo da casa, das nuances do rio;
Tudo abaixo como o dorso da fotografia em preto e branco, aquele exercicio de quem nem sabe que sou: As doenças da boca, os protocolos feridos, os personagens gemendo no centro das noites de vigilia. Descrevendo a cena, o calendário reclina em comunhão com as vozes, mas não se pronuncia.
Mutiladas as páginas soterram ao olhar cansado: O jazz, o pop, o expressionismo alemão, a nouvelle vague, o cinema novo, a latinidade, infinitas vozes preditando pensamentos selvagens, crise anunciada como aquele poeta que adormece««Essa foi a lembrança da luminária incendiando, seduzindo a colcha portuguesa do quarto no excesso, na lentidão no fundo da casa que desmorona ao mofo, exalando as pegadas, as imagens se movimentando à parede de sombras projetadas, assemblages vestigios de vida. Expressionistas, mas não anuncio, fico acorrentado a uma àrvore, viro a paisagem, e não como terra. Fito o mapa, negando a localização e a geografia é o segredo revelado na viga que perfuro.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
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