Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Francis Alys - Desenhos para o procissão moderna







  


  


 

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

IV Ciclo de Investigações do PPGAV/UDESC


Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Aforismos da Memória Parte II

Dália não pensara nos caminhos, transversais, de sua existência, naquela casa de cor frutífera, não era o sabor que invadia suas janelas, mas a inconstância geradora de situações que há dispersavam dos seus grandes prazeres, não havia leituras, paisagens, que comportassem o silêncio de uma reflexão, isto a corrompia, sua entranhas balbuciavam grunhidos de estetas nas grandes guerras. Como dialogar com o mundo, se aquele espaço era a materialidade das tangencias, as vidas diárias de burocracias, palavras esvaziadas dissimulando diálogos, controle de vivência, isto tudo a desconsolava, penetrar no cerne humano e não encontrar delicadezas.
Era como se os cômodos daquela casa refletissem as expressões de seus habitantes, e nenhum cômodo daquele contingente a espelhasse, nem sua mesa acumulada de distância e cinzeiros, seu quarto de parede verde, exalava as tessituras do abandono, quando essa narrativa torna-se um espaçamento do seu devir poético, Dália assume sua fundamental importância no contexto sentimental de sua narradora.
Imersa, com um café nos lábios, as fantasias, transbordam a ilusão da página, Dália mastigava as epopéias, heróis trágicos, conduzidos pela resignação do glória, levanta-se e observa a cor púrpura de seus pensamentos, seu rosto de tons róseas, batido pela disritmia de noites mal-sonhadas. Sua pele exalava tons, aparências, no exterior declarado pelo seu corpo, a pele era sua pagina no devir, incisões das vivencias, por outrora vislumbrava esta como marcas do desassossego, obras etéreas clamam por todos nós, uma eternidade fugidia nas calamidades da solitude solicitada por ela.
Lembrava-se de grandes traumas de infância, naquela casa, casa-gente, casa-hospício, casa-saudade de um tempo perdido, onde as pessoas eram sem saber que seriam as transformações suaves naquele tempo do esquecimento, quando a insônia era metáfora de conforto, com cidreiras e um punhado de mel, ceavam-se as sete, e as loucuras adultas constituíam tudo o que não quisera assim ser, Dália não sentia desejo de voltar aquele tempo soturno, pois era um compêndio de tudo aquilo e nada daquilo, mas rememorava como forma de entender os passos que caminhara afastada de todas aquelas pessoas, que seio a amamentou?

Nunca nos lembramos dos momentos mais essenciais, qual seria a primeira coisa que enxerguei no mundo, um médico que bizarro, as crianças deveras de chorar, nascem em hospitais, apanham, são obrigadas a chorar, o homem inventou o riso por que é pessimista.
E essa história de que as crianças antigamente não abriam seus olhos no instante que nasciam e hoje nascem com seus olhos estralando ao mundo? Será que não seriam as pessoas que não observavam as crianças ao nascer? Ninguém sabe o que uma criança enxerga pela primeira vez.
"(...) não gosto de falar em infância. É um tempo de coisas boas, mas sempre com pessoas grandes incomodando a gente, intervindo, estragando os prazeres. Recordando o tempo de criança, vejo por lá um excesso de adultos, todos eles, mesmo os mais queridos, ao modo de soldados e policiais do invasor, pátria ocupada. Fui rancoroso e revolucionário permanente, então. Já era míope e, nem mesmo eu, ninguém sabia. Gostava de estudar sozinho e de brincar de geografia. Mas, tempo bom de verdade, só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-me num quarto e trancar a porta. Deitar no chão e imaginar estórias, poemas, romances botando todo mundo conhecido como personagem, misturando as melhores coisas vistas e ouvidas”.••
“Durmo, olhando o teto que Bavcar diz me ter estrelas, mas só na escuridão as estrelas aparecem e nestes dias as luzes parecem me cegar, o mundo me torna sem visão”.

Aforismas da Memória Parte I

O tempo abandona até os mais sinceros” lembrava-se de uma placa inscrita em um buteco de cores azuis desbotada, contraste evidenciado pela velocidade do ônibus e suas lembranças, imagens percorriam seu imaginário cansado, as travessias se formavam em sua volta, ela absorta apagara o hospital, sua péssima experiência acadêmica, vivificava, o caminho, as estradas, sua memória, pois tudo passara-se em sua viagem rumo a algum destino, lugares incansáveis, travestindo, butecos solitários de letreiros estranhos qual bêbado sente o tempo, os solitários percebem a vida, quantas idéias absurdas mapeavam seus desejos, não sabia mais o que pensar, plagiar, desejava por instante somente olhar o mundo sem os respingos da consciência, embriagar-se da paisagem sem signos traduzidos para os sentidos, encher-se de tal modo da beleza das coisas que o ar lhe sufocava as entranhas, e em soluços ela permanecesse a olhar o mundo, no silêncio de suas formas, no repouso de sua superfície, sem vozes, na pausa de uma mata a madrugada os ritmos estáticos no instante de seu reconhecimento enquanto forma, paisagem no mundo, beleza das fronteiras, vontade de jogar-se pela janela....

Domingo, Outubro 25, 2009

III Simpósio Internacional de Arte Contemporânea do Paço das Artes

Quem possuir interesse em assistir pela internet as conferências e comunicações é só acesar o seguinte endereço eletrônico: http://3simposio.wordpress.com/

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

H.O

O fogo que dizimou a obra de Helio Oiticica é uma tragédia sem par para a cultura brasileira.
O que se perdeu de maneira irreversível é um patrimônio cuja dimensão pública se impõe sobre qualquer direito ou interesse privado.
H.O. pertence à arte.
Seus Parangolés pertencem à arte.
Seus escritos pertencem à arte.
Seus filmes, maquetes, relevos pertencem à arte.
Cabe aos herdeiros compreender isso.
Cabe ao poder público, em todas as suas esferas e instâncias, comprometer-se com isso.
E cabe a nós, agora, gritar para que dor assim nunca mais se repita, mas também nunca seja esquecida.
Ana luiza Nobre















Benjaminiando....Livro das Passagens


       "A cidade possibilitou a todas as palavras, ou pelo menos a um grande número delas, algo que só era acessível a pouquíssimas, a uma classe privilegiada de palavras: serem elevadas a nobreza do nome. Esta revolução da língua foi realizado pelo que há de mais comum: a rua. – Através dos nomes das ruas a cidade se torna um cosmos linguistico".



       "Cada época sonha com seguinte......."

      "Uma cidade essencialmente moderna é uma cidade sem memória....."

     "TODA VEZ QUE ENTRAMOS EM ALGUMA HISTÓRIA DEIXAMOS UM VESTÍGIO"


   "A sensualidade dos nomes das ruas é certamente a única que os burgueses, se for preciso, ainda conseguem perceber. Pois o que sabemos nós das esquinas de ruas, dos meios-fios, da arquitetura da calçada, nós que nunca sentimos o calor, a sujeira e as arestas das pedras sob os pés descalços, e que tampouco examinamos o desnível entre as largas lajotaspara ver se elas poderiam nos servir de leito?"



Considerações Intempestivas











                                          Mosquito vestindo capa parangolé.
                                           



                                              Bólide Cara de Cavalo

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

O trágico se enfumaça e a afirmação se torna uma veia de urgência


        Oiticica manuseando Bólide

Nesse momento onde o Brasil tenta reencontrar sentido em meio ao enfumaçamento das obras de Hélio Oiticica, eu silencio em pequenas palavras que urram do interior do meu quarto, como é possível que a obra de um artista determinante para a cultura de nosso país fique relegado a pequenas disputas familiares - estatais? Dizem todos agora nesse momento que atravessamos talvez a crise do século de nossa cultura, o enlutamento e a dor deve fazermos reagir, não passivamente, retrospectivas da obra de Oiticica estão sendo debatidase com certeza o mercado da arte sofrerá um bum e suas obras se super valorizarão e daí? Daqui a 50 anos como explicaremos para as gerações presentes quem foi Oiticica? Como seu conjunto de obras foi tratado? Se nem obras existem? Ah poderiamos pensar quantos fatalismos, nem todas viraram chamas, iremos brincar de advinhos, talvez nos cadernos que viraram cinzas hoje estava escritos tal e tal coisa, insistiremos que como chama ardeu. Parafraseando o artista, porque sempre a aspirina, talvez porque culpa e cura sejam sinônimos?
Pensar um artista trágico para Oiticica é visar o anti-herói e não a herança grega da resignação, Cara de Cavalo pertence hoje ao imaginário de gerações que como eu vislumbraram imagens da obra, mas que jamais irão vilslumbrar as vigas do tecido, a tinha descascando, a madeira sendo consumida, o tempo da chama antecede o tempo do corpo, por isso a crueldade de corroer o pensamento ao ver a matiz de nossa história ser derretida em meio aos plásticos e a ruína. Não se trata de preciosismos ou fetiches, uma parte de nossa arte morreu, foi insinerada de nosso pertencimento. E eu cada vez que acordo não me sinto convencida e não apazigua minha dor as manifestações que se tornaram presentes por parte de criticos, autoridades e artistas que salientam a importância da obra de Oiticica, mesmo sendo sabedora da importância desse retrospecto, e o medo que todos sentem de não deixá-lo morrer pela terceira vez. O anti-herói se manifesta em suas cintilações como um sobreaviso, uma sociedade que não respeita a arte e seus artistas é uma terra fadada a adorar ídolos estrangeiros e se consumir em labaredas virtuais.
Recorto um pequeno fragmento de uma fala do artista de 1966, intitulada Parangolé Social é Parangolé Poético, presente nos arquivos do Itaú Cultural  sobre a escolha do mosquito da mangueira como mascote do Parangolé, onde o artista ressalta o elogio a grande infância de mosquito e como o Parangolé seria uma forma de mosquito nunca esquecer dessa sua grande infância:


"Elegi nela o mosquito como mascote do parangolé, e mesmo no futuro quando mosquito deixar a infância seu nome permanecerá como símbolo que é da criança criadora. Aliás, sempre disse que no morro não há cursos de pintura, ou disso daquilo, mas no samba aproveita-se o que de espontâneo e criador possui cada criança; da maneira mais livre possível (isto sim é o verdadeiro exercício experimental da liberdade do qual fala Mário Pedrosa!). Mosquito é o símbolo da criança criadora, verdadeiro gênio da dança, e quis desse modo homenagear essa sua grande infância, esse seu talento inato. E ainda com a capa andará o próprio passista por aí, isso que é bom!"
E em outro escrito intitulado A Dança na minha experiência de 1966 o artista reitera a importância de ser uma fazedor de imagens:

"As imagens são móveis, rápidas, inapreensiveis - são o oposto do ícone, estático e caracteristico das artes plásticas – em verdade a dança, o ritmo, são o próprio ato plástico na sua crudeza essencial → está ai apontada a direção da descoberta da imanência. Esse ato, a imersão no ritmo, é um ato puro criador, uma arte - é a criação do próprio ato, da descontinuidade: é também, como o são todos os atos da expressão criadora, um criador de imagens aliás para mim, foi como que uma nova descoberta da imagem, abarcando, como não poderia de deixar de ser a expressão plástica na minha obra."










Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Nas dobras Valéry e seu caderno a tarde:
Só amo problemas
Quando eu me prendo(o qe é bem raro)
A uma leitura que não me requer nenhum
Esforço de compreensão nova, tenho a sensação de cometer uma falta.
Sinto em falta -, falta que pode ter excusa uma incapacidade de fazer outra coisa. Só amo problemas.
(Paul Valéry - A serpente e o pensar. p 89)

Especialidade

A especialidade me é impossível.
Valho um sorriso. Você não é nem poeta, nem filósofo, nem geômetra - nem outra coisa.
Você não aprofunda nada. Com que direito você fala daquilo a qual você não se consagrou com exclusividade.
Eu sou como os olhos que vê o que vê. Seu menor movimento muda o muro em nuvem. A nuvem em relógio. O relógio em letras que falam. Talvez esteja ai minha especialidade.
(Paul Valéry - A serpente e o pensar. p 74)